
1 - Ano passado cerca de R$ 1,3 bilhão foram investidos em cultura através da Lei Rouanet e talvez de outros mecanismos de financiamento. Cerca de R$ 200 milhões a mais que no ano anterior. Segundo Henilton, mais de 90% desse dinheiro era do governo, através de renúncia fiscal.
2 – Mais de 70% do dinheiro ficou na região Sudeste, mais especificamente em bairros nobres de São Paulo e Rio de Janeiro. O investimento no Espírito Santo, por exemplo, é irrisório.

4 - Henilton disse que o Minc conversa com a Vale para que a empresa abra um edital especifico para a região amazônica.
5 - Nilson Chaves sugeriu que se uma grande empresa, pública ou privada, patrocina cinco grandes projetos na região Sudeste, por exemplo, deveria patrocinar tantos projeto iguais nas outras regiões.
6 - O deputado Pedro Eugenio, por sua vez, acredita que deva ser dado 100% da renúncia fiscal para quem patrocina, para que não percamos o “apoio” da iniciativa privada. Pode ser que com crise e tudo o mais, realmente devamos ter medo de perder dinheiro de patrocínio privado, mas é bom sempre lembrar que a renúncia é dinheiro público. Quando Gilberto Gil estava saindo do governo, falava em avançar para que o empresário entrasse com 50% e o governo com 50%. Era o que ele dizia que seria o ideal.
7 - Arnaldo Jordy fez uma defesa do “Custo Amazônico” baseado na ideia de que os custos de produções são mais caros aqui que em outras regiões do país.
8 - Henilton disse que no dia da audiência, a Folha de São Paulo publicou uma matéria “detonando” a pesquisa encomendada à Fundação Getulio Vargas sobre preços de serviços culturais em algumas capitais do país. Nela, Belém tem preços mais altos de serviços de técnicos e instrumentistas, por exemplo, do que em São Paulo. Traduzindo a opinião de Henilton para um tom bem popularesco seria mais ou menos assim: “A imprensa reacionária acredita que aqui só tem bocó, e não pode cobrar caro por serviços tão sofisticados como as horas de serviço de um pianista”.

10 - Carlos Henrique Gonçalves fez uma defesa do “Custo Amazônico” como uma compensação histórica pela exploração da Amazônia.
O Minc sabe das distorções e promete trabalhar mesmo antes da aprovação da Lei para atenuá-las. Assim esperamos. Eu me manifestei. Disse que é preciso pensar a cultura como necessidade de preservação de identidade e tudo, mas também é preciso pensar nela como fator de desenvolvimento econômico, sim, uma vez que a maioria prefere pensar nisso como algo “sagrado”. Vamos identificar o que é sagrado e preservar. O que tiver potencial econômico vamos investir como necessidade de identificar o Brasil no contexto global. A cultura tem poder transformador inclusive por isso. No entanto, esse mercado deve crescer com regulação rígida, sim, e corrigindo as distorções que existem não somente entre as regiões, os estados e os municípios, mas as distorções que existem entre técnicos, artistas, produtores etc. Vamos construir um mercado que seja um fator de desenvolvimento para a nossa cultura e para o nosso povo, de verdade. Nós podemos?