segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Bodas de Ouro do Punk Rock Paraense


Salve o rock brasileiro, salve o rock paraense!

Fazer 10 anos de rock é tão difícil quanto manter um casamento pelo mesmo tempo. Fazer 15 anos de rock, então, é quase tão difícil quanto empreender profissionalmente uma banda em Belém do Pará. Fazer 25 anos de rock é tão difícil quanto se tornar uma lenda.

É por isso que o projeto Bodas de Ouro tem por objetivo marcar com pompa e circunstâncias (para bandas de rock) os aniversários de Delinqüentes (25 anos), Norman Bates (15) e Rennegados (10).

Somando tudo são 50 anos de bons serviços prestados à trajetória do lendário e “obscuro” rock paraense. E se prestam serviços ao rock prestam serviço também à música popular. Afinal, se a nova música popular paraense, moderna, de mente aberta a novos conceitos, de diversidades de ritmos, de fusões e estilos é assim, o é também porque antes dessa versão moderna existiu um rock duro que foi amolecendo com o tempo.

O punk rock clássico dos Delinqüentes mostrou sua influência recentemente na música popular com versões de Iva Rothe, Pio Lobato, Ana Clara Mattos e bandas como Turbo e Suzana Flag no tributo coordenado pelo produtor e radialista Beto Fares.

Ao longo de sua carreira os Delinqüentes foram do clássico punk rock ao crossover sob a influência do heavy metal e passaram ao experimentalismo com pitadas de regionalistas “Pequenos Delitos”. Isso na década de 1990, muito antes da (re)conversão da nova música popular paraense, que também foi influenciada pelo rock nos anos 70 (vide Sol do Meio Dia, de onde saíram grandes compositores como Rafael Lima e Walter Freitas).

O Pará lhe deve a devida atenção e deve empreender o registro e o resgate da obra dos Delinqüentes. Urgentemente, assim como o fez o bravo Beto Fares. Isso já se torna quase tão importante quanto a preservação de mestres da cultura popular. Ou será que nós vamos precisar manter também a pecha de cidade do “já teve” no rock.

Será que a tendência moderna de abrasileirar (por si só, muito saudável) tem que extinguir o rock “puro”?! Afinal abrasileirar quer dizer misturar estilos, tendências, gêneros e influencias que vem do mundo todo, que aqui chegaram através da colonização. Algo que também faz parte da nossa história e não se pode negar.

Com seu punk hard rock amolecido ora pelo funk, ora pelo ska, ora por acordes de bossa nova, a banda Norman Bates é, sem sombra de dúvidas, e a despeito deste que a analisa, uma das bandas mais inspiradas do rock paraense. Desse rock duro que amoleceu e quase tornou-se pop. Lu Guedes e sua versão funk de “Noé, desce da barca” que o diga. A Norman Bates dá e recebe influências das novas tendências e gerações. Algo comprovado seja sob os elogios da crítica especializada ou sobre a crítica ao mesmo tempo ácida e lírica de suas letras.

Mais que a Delinqüentes, a Norman Bates tem uma carreira de registros falhos. Apenas duas demos e um disco profissional, e um segundo disco até hoje incompleto. Reflexo da falta de condições de empreender profissionalmente na música paraense.

Esse texto mistura análises artísticas e econômicas para justificar pompa e circunstância ao ato de perseverar e reconhecer. Não ao estrelismo, não ao egocentrismo. E da mesma forma que misturar é bom, manter-se puro em princípios deve ser também.

É por isso que é preciso também circunstanciar o hardcore sem firulas de fusão dos Rennegados, uma banda que surgiu da tradição urbana de uma cidade historicamente na periferia da modernidade. Ser hardcore e preservar uma banda hardcore como o Rennegados, que além da música, tem acima de tudo uma atitude política e solidária. Um símbolo de resistência, além dos preconceitos.

Bem entendido isso, é fácil e admirável notar a participação de tantos parceiros para comemorar os 50 anos desta trilogia punk paraense em grande estilo. Gratos a todos que participam desta festa punk.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sou Marina, Sou Jatene, Sou Flexa, Sou Marinor, Sou Jordy e Sou Edmilson.

Nicolau Amador disse...

Você tem to direito de dizer quem é! Mas nós sabemos que voce não é nenhum desses. É voce mesmo! Com medo ou com vergonha de se mostrar. Mas se voces quis dizer que vota nesses candidatos eu também declaro meu voto. Voto em Marinor, na segunda vaga ao Senado, os demais candidatos são do Partido dos Trabalhadores. Não que Edmilson não mereça a vaga, precisamos dessa renovação. Mas o PT é o grande responsável pela mudança no país e tem meus créditos. Voto Dilma 13, Ana Júlia 13, Paulo Rocha 131, Claudio Puty 1310 e Edsilson Moutra 13310. Sem vergonha de dizer. Fique a vontade, o voto é secreto mas eu me revelo.
Bjos.

Jayme disse...

ô seu anonimo, o que esse show tem a ver com política? Ou ter apoio de algum órgão do estado é uma novidade aqui na cidade? Esse dinheiro é nosso (do povo), temos mais que usar.