terça-feira, 24 de junho de 2008

Nordestino paraense

Nos anos 1990, os Titãs ficaram muito famosos por suas atividades individuais. Discos solos, participações em filmes. O baterista Charles Gavin ganhou notoriedade por revirar os arquivos da Warner e reconduzir das sombras à luz clássicos ou obscuros discos da música popular brasileira que só haviam saído, até então, em vinil. Foi no início deste século já que trocamos algumas palavras sobre música nos corredores do Yamada TIM Festival (2004). Atencioso, Gavin recebeu o disco do Norman Bates e contou sobre o seu último projeto: relançar seis discos do compositor paraense Ari Lobo.
Foi desconcertante para mim não saber de quem se tratava. Mas o titã não se espantou. “Quase ninguém conhece, tá vendo? Nem você! Mas vão conhecer depois do lançamento desses discos”, disse ele, empolgado com a descoberta.
Naturalmente, fui pesquisar sobre Ari Lobo e escrevi uma reportagem no Diário do Pará, dando em primeira mão a notícia do trabalho do titã. Mas os anos passaram e eu não vi os tais discos. Não sei o que aconteceu. É difícil saber. Podem ter sido lançados sem promoção e com distribuição irregular. Ou o projeto pode ter sido abortado por falta de perspectiva de retorno de vendas, coisa muito comum na indústria. Talvez não valesse a pena recuperar a imagem de um compositor obscuro do Norte do país, que as pessoas achavam que era nordestino pelo cantar.
Fiquei assim: sabendo da existência e um pouco da história de Ari Lobo, mas desconhecendo ainda a música dele. Até na semana retrasada, quando ouvi na Rádio Cultura uma entrevista com os músicos do grupo Quaderna, que, pelo que entendi das palavras de Cincinato Marques, idealizador do projeto, pretende resgatar a influência nordestina na música paraense. O Quaderna interpreta canções de compositores como Ari Lobo e canta suas próprias canções, feitas sob a influência da pesquisa da música popular paraense. O trabalho é muito refinado, com performances vocais belíssimas.
O Quaderna tocou ao vivo na rádio uma ou duas músicas de Ari Lobo. Foi muito pouco, mas mesmo o ouvido menos experimentado pode percerber a riqueza na produção autoral do compositor. Entendi logo o entusiamo do titã.
No final de semana passada, quando os Titãs estiveram tocando no Hangar, em Belém, tentei até entrevistar o baterista para saber o que acontecera com o "Projeto Ari Lobo” e para, talvez, saber o que ele achara do disco do Norman Bates. Depois de me decepcionar um pouco com a performance da banda no palco, minha tentativa de aproximação acabou sendo desmotivada.

6 comentários:

Hugo Cézar disse...

Também conheci um pouco da obra do Ari Lobo através do Quaderna. Esse que por sinal, é mais um grupo de pesquisa que uma banda propriamente dita, afinal, começou assim.
O trabalho deles é (como dissestes) belíssimo. O cd é excelente, faz um apanhado da história do povo nordestino pras regiões nortistas, falando da música, migração, etc, muito interessante. São ótimos pesquisadores e músicos.
Aliás, vai ter show deles sexta (27), 21h na Fundação Curro Velho, nem precisa dizer que vale a pena conferir rs.

Nicolau Amador disse...

Boa pedida, Hugo. Boa mesmo. Espero poder estar em pé até lá. Muito trabalho. Fica o convite.
Abs.

Helaine Martins disse...

moço, se fores pra festa junina da secom, vais ter o prazer de ver o Quaderna. :) bj

Nicolau Amador disse...

eu vi...hehehe
até ganhei um CD. Vai merecer outro post.
Obrigado pela dica, Helaine.
Bjos.

Allan Carvalho disse...

Fala, Nicolau!...

Bacana o que li!... Valeu!

Caso queiras os Cds do Ary Lobo (pelo Gavin) é só dar o toque! Tenho muito mais se quiseres, além destes.

Ainda "moleque", em 2000, fiz um show exclusivo sobre Ary Lobo, pela I Bienal de Música de Belém. Tenho isso gravado, mas te aconselho a não ouvir! rsrs

Essa relação com o Gabriel rola pela influência do meu pai e amigos velhos(novos). Que bom sentir que ainda há quem fale sobre. Depois, caso queiras, te passo o canais do irmão do Ary e do cara que o levou pras paradas de sucesso, o Pires Cavalcante(84)! Seria uma boa a sua força!

Abraços e sucesso sempre! Salve Ary!
Allan / Quaderna

Nicolau Amador disse...

POde crer Allan. quem sabe a gente não escreve a biografia dele, hein?!! Ia ser massa.
Obrigado. Quero os discos (cópias deles), sim. Ainda bem que ele lançou mesmo os discos né.
Abraço.