quinta-feira, 12 de junho de 2008

Parabólica

Antes de responder, segue o texto de Ismael Machado, publicado no jornal Diário do Pará, no último dia 6 de junho, na coluna Parabólica. Os colchetes são meus.

Cadê o Suzana Flag?

Acho que foi no final de 2004 ou início de 2005 que ouvi Suzana Flag pela primeira vez. Eles estavam abrindo no Teatro Gasômetro um show do Álibi de Orfeu, que recém voltara a dar as caras. O grupo de Castanhal “engoliu” a atração principal com um pop agridoce que à época só me tinha uma senão: a excessiva timidez da vocalista Suzane
[Susanne é o nome correto] no palco. Até falei isso a ela após o show, eu que não conhecia ninguém da banda, mas havia ficado agradavelmente impressionado com aquelas canções.
Adquiri o disco da banda, o Fanzine. Num texto explicativo, Nicolau Amador informava que o CD havia sido gravado em 2002 no quintal da casa do guitarrista Joel Melo em precárias condições técnicas. O assombro com a qualidade da banda só cresceu. Tornei-me uma espécie de fã das canções amorosas do grupo.
No triênio que ainda vai ser considerado daqui a alguns anos como o período mais fértil do rock paraense no início do século (2004/2005/2006), o Suzana Flag foi uma das bandas protagonistas da renascença pop do rock em Belém. Época em que Eletrola e Stereoscope dividiam palcos e que o Euterpia emocionava com “Veneza”. O jornalista Vladimir Cunha, o cara que mais bem sabe escrever sobre o pop paraense, já disse que 2006 foi o “ano que não aconteceu” para o rock paraense, ou seja, o ano em que tudo parecia indicar que a capital paraense seria a “nova Meca para a música pop brasileira”. Foi o que quase aconteceu. O Suzana Flag chegou a ser eleita a banda revelação do ano pelo site especializado ‘London Burning’. Eu mesmo fiz uma matéria para o Globo sobre o rock paraense.
E o que tinha o Suzana Flag de especial? Belas canções e letras adolescentemente dolorosas, que falam de amores perdidos, esperanças tênues e a difícil transição para o mundo adulto. Foi a trilha sonora ideal para a geração “Alta Fidelidade” que lotava as inesquecíveis festas da Se Rasgum no Café com Arte. “Acho frases soltas que juntas não fazem sentido / Em todo caso posso usá-las quando precisar / trago sempre meus cigarros / pra cada passo levo uma canção / pra cada dente uma mentira quando precisar”, diz “Ludo”, a primeira música do disco.
Há “Recreio”, que diz “eu queria te falar dos meus planos / dos lugares que pensei te mostrar / mas só escuto o telefone chamando / e eu estranho não te ver de manhã”.
Mas a melhor do disco é mesmo “Contraposto”, uma das melhores canções já produzidas por uma banda de rock de Belém em qualquer tempo. Parceria inspirada da dupla Elder Fernandes e Joel Melo, a canção vai desfilando uma série de antíteses que é, em essência, uma das melhores representações para um relacionamento em crise, seja ele qual for. “Você prefere os tons mais toscos / se o dia te oferece cor / você só quer um tempo frio, se o tempo pede mais calor / não ir em frente quando se deve ir mais longe / ser tão claro quando te pedem explicação”.
A letra, pungente em alguns momentos, fez com que eu presenciasse uma cena inusitada certa feita em Algodoal. A banda tocava a canção e três meninas ao meu lado choravam copiosamente. Eu nunca vi isso no rock local.
Para completar, a canção traz riffs de guitarra que lembram, e muito, uma canção do New Order, do disco Brotherhood, de 86.
A banda ainda lançaria nos anos seguintes, duas canções maravilhosas: “Sem Você” e “Boas Novas”. Mas Elder sairia da banda e formaria o Johnny Rock Star
[a grafia correta do nome da banda é Johny Rockstar]. O Suzana Flag passaria por uma pequena crise, mas seguiria adiante. Só que há pelo menos um ano não ouço sequer ouvir falar da banda. Por isso a pergunta: cadê o Suzana Flag?

3 comentários:

Helaine Martins disse...

Por falar em Suzana Flag, ó aí, moço: http://www.revistaparadoxo.com/materia.php?ido=4826

:)

bjs, H.

Pio Lobato disse...

Joel é um dos maiores produtores/ arranjadores do país, o cara sabe muito bem o que está fazendo, independente do estilo musical , da letra, ou do mercado.
O Suzana ainda tem muito pra render

Nicolau Amador disse...

Obrigado pelo link, Helaine, e pelo primeiro comentário. Pra você ver há quanto tempo era pra rolar o disco, né?

Pio, o Joel é bom mesmo, e o Suzana tem muito, sim, para render. Teremos talentos como o dele e o seu devidamente reconhecidos, pode acreditar. Depende de nós também.