domingo, 23 de maio de 2010

Nome limpo na praça

Foto de Renato Reis

Juca Culatra é um dos artistas paraenses da nova geração que ganhou mais notoriedade em pouquíssimo tempo. Desde as seletivas do Se Rasgum no ano passado, e depois de um show no festival que o consagrou como um ótimo performer, Juca vem conquistando admiradores e amigos pelo Brasil a fora. Sempre bom de papo, há dois dias, no meio da madrugada, o músico empreendedor e eu conversamos sobre sua carreira, sobre a clientela exigente da nova música e sobre como se livrar da malha fina do showbusiness. Você confere aí embaixo a nossa conversa.

Nicobates: Há quanto tempo você toca?
Juca Culatra: Comecei a cantar desde moleque, quando mudei de voz e comecei a imitar o Pavarotti nas rodas dos amigos. Até que meu tio me convidou pra cantar Ave Maria no casamento dele, eu encarei o desafio e detonei. Me falaram que só não bateram palmas depois da música porque era na Igreja! Rsrsrs.
Mas não aconselho ninguém a me convidar pra cantar no casamento porque depois meu tio se divorciou, ehehhehe.

Você tinha que idade?
Tinha uns 17 ou 18. Hoje to com 31. Mas a banda eu comecei no dia 26 de abril de 2009. O primeiro show foi no Parque dos Igarapés. Nesse meio tempo até montar a banda eu fazia só a produção da galera.

Como foi que você passou do Pavarotti pro reggae?
Antes de chegar na viagem do reggae ainda pirei muito. Meu primeiro projeto foi uma banda de samba e pagode que se chamava Bombokado. E a viagem toda da banda era fazer o samba com a música erudita! Já tínhamos dez composições de compositores da terra, e todos os arranjos escritos para uma orquestra tocar junto com o grupo de samba. O problema era a grana. Porque seria um projeto muito caro... e a banda faliu. Eu fali completamente. Peguei grana emprestada no banco e fiquei devendo. Pensei em largar a música e tudo mais. Foi aí que meu irmão me mostrou um CD do Bob Marley chamado Babylon by Bus, gravado todo ao vivo. E foi aí que minha paixão pelo reggae nasceu.

Apesar de ser mais novo no reggae que muitas outras bandas paraenses, você ganhou bastante popularidade nesse último ano. A que você atribui?
A nossa banda toca reggae, mas, por incrível que pareça, a gente dificilmente toca nas regueiras de domingo! Acho que a viagem da banda é tocar um reggae pra galera do Rock! Galera alternativa. A gente sofreu um choque muito grande no começo da banda porque a maioria das bandas que tocam reggae em Belém, tocam cover. O show inteiro de cover! E a gente já chegou nas domingueiras tocando só músicas nossas e a galera não respondeu de imediato!! Tivemos a resposta do público em agosto do ano passado. Nas seletivas do Se Rasgum. E quem abraçou a gente foram as pessoas que curtem essa nova música que vem aparecendo.

E por falar nisso, o que você acha dessa discussão toda atualmente, sobre a nova música, novos métodos de promoção e venda, carreira, cadeia produtiva etc?
Eu acho que hoje o artista tem que ver a música como um negócio! E como qualquer negócio você precisa ganhar seu público. Você não pode pensar que um médico acaba de sair da faculdade e já tem uma clientela gigante! Não! Ele precisa ao longo dos anos ganhar seus clientes. E é assim que o músico precisa enxergar a música.

O que fazer pra conquistar esses clientes?
Clientes ou público. Comparando de novo. Você chega no médico e procura o que?! Saúde!! Você vai pra um show e procura o que? Se divertir! Esquecer dos problemas etc. E o artista tem o poder de fazer isso! Basta trabalhar e ter um padrão profissional, pensando em dar o que há de melhor para que o seu público sempre volte! Um som de qualidade, uma cerveja gelada, um banheiro bom etc. Se você fizer isso, ao longo dos anos você vai saber quem realmente gostou do seu som, da sua festa. A gente hoje em dia toca a semana, mais muito vai da nossa proatividade de ir atrás do evento, de visitar as casas de shows, produzir o evento e sempre estar em atividade por conta disso as pessoas enxergam a gente e acabam contratando pra outros eventos. É uma bola de neve.

Já deu pra pagar as contas no banco?
Não. Hahaha. Ainda to devendo o Bradesco. Mas graças a legislação brasileira depois de cinco anos todo mundo esquece as dívidas e eu já me limpei no SERASA e SPC.

Um comentário:

Bleffe disse...

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Música em troca de Fraldas