quinta-feira, 11 de março de 2010

"Jóia enterrada na floresta"

Johny Rockstar em 2005. Foto de Taiana Laiun, em ensaio produzido pelo poster

Eliezer Wonkas III, ou Eliezer Andrade, como eu o conheci, é guitarrista da banda Johny Rockstar, ex-integrante da banda Eletrola, que em meados da década que se encerra este ano ajudou a mudar o cenário do rock paraense ao lado de bandas como Suzana Flag e Stereoscope. Com essas duas bandas, o Eletrola formou uma espécie de triunvirato do pop de Belém e ajudou a ampliar consideravelmente o campo de visão do Brasil indie sobre a Amazônia. Entre aulas de geografia, que ministra na rede estadual no município litorâneo de Salinópolis, e um onda em cima duma prancha de surf, Eliezer acessa o MSN. Numa dessas a gente tentou bater um papo sobre a produção e o lançamento do primeiro disco de sua atual banda, em que divide as responsabilidades com Elder Effe (baixo) e seu irmão Nata Ken Máster (guitarra). No próximo dia 13 de Março, no Caverna Club, Johny Rockstar vai estar arrecadando fundos para a prensagem do disco, no projeto Coisa Pop, ao lado das bandas Aeroplano e Sincera. Confira.


Nicolau: Quem esta na formação atual?
Eliezer: Começamos depois do fim da Eletrola em 2005 acho. Ensaiamos na tua casa com a formação Eliézer, Nata, Elder e Ivan. Depois de duas semanas começamos a tocar. O primeiro show foi aquele na Zeppelim, o resto da história todo mundo conhece. A formação atual é Eliézer, Nata, Elder e um Baterista he he he he

Esse é o primeiro disco oficial do Johny. Por que demorou tanto?
É, sim. Depois de dois singles e muitas músicas guardadas, juntamos algumas e demos a cara do disco. De 2005 até aqui são 5 anos. Acredito que a demora se explique pelo motivo de querermos um bom disco. Demoramos um pouco pra gravar, porque eu e o Nata somos detalhistas em algumas coisas (acredito que seja uma síndrome dos guitarristas). Porém o resultado final é o que esperávamos e estamos muito felizes
com isso.

Como foi o processo de gravação? quem produziu? onde foi gravado...As baterias foram gravadas no Studio Meio do Mundo do André (ex La Pupuña). Baixos, Guitarras e Vozes no Jangoux Studio e a parte final de arranjos de guitarras e voz no AMT Vintage Studio. Quem produziu foi o Ivan Jangoux (Ex Stigma) e a banda. Ele é um cara super tranquilo de se trabalhar. A mix e a master são assinadas por ele também.

Quantas músicas? Podes divulgar o track list?Ao todo são 13 musicas. O track list já tem ordem, mas algumas músicas ainda tem nomes incidentais. Monoral, Las Vegas, Alcalina, Johny Rockstar, Oswaldo, Horas e Vingança dos Chatos, são as músicas que todo mundo canta nos shows. As demais a gente tocou uma vez ou outra, e fechou o arranjo pro estúdio, vai ser surpresa quando os fãs da banda ouvirem pela primeira vez!

A formação clássica da JRS: Nata, Ivan Vanzar, Eliézer e Elder Effe

Fala um pouco sobre a produção do disco. O que vocês queriam? O resultado foi esperado? Cara... Queríamos um disco com sons vintage e valvulados. Eu e o Nata tínhamos o vintage e o Ivan saca muito de valvulados. Então saiu do jeito que a gente queria. Ouço muito falar que mixagem se abandona. Mas a nossa é do jeito que era pra ser. Guitarras de rock, mixagem gringa (merito do Ivan Jangoux), bateria na cara e baixo vintage. Cada banda sabe o som que quer pra si. O Nosso é o esquema sem frescura. Simples e rápido!

Mas voces usaram plugins "vintage" ou os sons vieram das válvulas mesmo?
Nas guitarras não usamos nem pedais de overdrives ou distorção. Basicamente plugamos as guitarras no som valvulado do Soldano (amplificador) do Ivan e do Mesa Boogie para os riffs pesados. Dobramos as guitas do jeito certo e usamos uns três microfones de sala para escolher. Bem simples!

Como voce enxergar o rock paraense hoje?
Acho, que depois de um certo tempo, assim como você, posso falar bem e mal de quem eu bem entender(apesar de não ter ninguém em mente no momento). O rock paraense hoje é uma jóia enterrada no meio da floresta. O amazônida sabe que ela existe, mas não tem ferramentas para tirá-la do fundo da terra. E quem a ferramenta certa pra fazer isso, investe em jóias menores de outros lugares do Brasil.

3 comentários:

Dani e Clarice Franco disse...

É mano, é como já escreveu o Lázaro Magalhães em "Mercúrio": "agora é livrar a joia do metal"...

Assis Figueiredo disse...

Esses rapazes estão disponiveis para um programa intimo? Pago bem.

Nicolau Amador disse...

queres o telefones deles Assis??!!